terça-feira, 28 de janeiro de 2014

SANTO ANTÔNIO
Tia Chininha, viúva do querido Tio Demêncio, meu tio em pó, cremado, suas cinzas repousam, contentes, num vidro de caramelos sobre a lareira. Tia Chininha quando fala que são suas cinzas, sempre algum asno exclama: "Mas como ele fuma, não?", aí de-lhe explicar que são cinzas mortuárias de um grande bagaceiro chineiro despudorado borracho que foi Demêncio Ventana.
Mas como eu dizia, Tia Chininha já na curva dos oitenta - se passar dos oitenta acho que bailará na curva, só de carne já comeu umas duas tropas de gado - se adonou de um brinquedo do neto, o Aspirininho, filho do Aspirino - era pra ser Che Guevara Ventana, mas Tia Chininha trancou o pé que não e não, que aquilo não era nome de cristão e ficou assim, Aspirino Junior - que vinha a ser um boneco do Obi-Wan Kenobi o tal brinquedo.
Pois bem, um dia, Aspirino flagrou-a em seu quarto, orando diante do boneco e indagou:
"Que tá fazendo, mãe?", e ela:
"Orando pro meu Santo Antônio, seu fariseu herege ordinário!".
Nessa delicadeza que lhe é tão peculiar, meu primo deixou-a em orações pedindo forças à Força, sem coragem de explicar pra velhota que não era o que parecia ser.
Tinha que ser minha parenta!
Depois volto pra dar um rolêzinho por aqui, pessoal.

POEMINHA ENJOADINHO
Hora calma
Nessa alma
Muita hora
Alma muita
Hora agora
Muito nossa
Calma alma
Muita calma
Nessa alma
Muita hora 
Nessa calma
Muita calma 
Nessa hora
Minha bela
Senhora.

domingo, 26 de janeiro de 2014

PALAVRAS
Aprendendo a escrever me deparo com sintaxes, gerúndios, tritongos orais e nasais, palavras cruzadas monossilábicas e advérbios demonstrativos de lugar impróprio, o próprio!
Sem me preocupar com a música, esqueço as regras e bailo, bailo ao ritmo das letras saltitantes que se juntam em palavras, materializando os meus pensamentos que jorram, verborrágicos, pelas minhas mãos!
Tropeço num adjunto sem oração e quase escorrego numa virgula perdida entre consoantes dissonantes irritantes, tudo em instantes!
Escrever cuidando as regras é como dirigir um automóvel prevendo cada movimento, lendo o manual do motorista: impossível pra mim!
Crases e parenteses são desbocados, cruzes, crases e porquês, por quê? porque por acentos, assentados nas vogais e nos ditongos flatulentos que atormentam as sílabas, tão sérias e sinceras, pertinho dos hiatos ingratos com seus primos hífens, que sempre esqueço e, quando lembro, uso errado, o danado!
E as aspas? Recuso-me a escrever "entre aspas" traiçoeiras aspinhas, apóstrofo que ninguém mais usa isso, sei lá!
Chega de abusar da bondade das palavras e vamos deixá-las entre os seus parenteses, ao menos para almoçarem juntas, separadas ou compostas, como lhes aprouver, comam de colher.
Ora, hora do almoço, seu moço, não obstante palavras antigas são do balacobaco, velhaco, quero o meu casaco, partirei, até já!
Prato de hoje: sopa de letrinhas, abobrinhas, peraltinhas...

C'EST LA VIE
Postei, há pouco, na fanpage da TOP 1120, um vídeo do Emerson, Lake and Palmer e viajei nos caraguatás! Me transportei aos botecos mal-encarados da Comendador Coruja, baixas horas da noite, onde pranteei minhas primeiras desilusões amorosas e paixões inesquecíveis.
Bares pequenos, aconchegantes nas noites invernais de onde a gente saía com cheiro de pastel frito e cigarro bagaceiro. Serramalte era a cerveja da hora e o Minister box estava sendo lançado.
Não sabíamos trabalhar, só estudar e mergulhar na rebeldia contra tudo aquilo que nos contavam: porões, torturas, intransigências e Malagueta, Perus e Bacanaço, do João Antônio e Poema Sujo do Ferreira Gullar.
Encontro alguns remanescentes daquelas épocas, engravatados em ternos escuros, diferentes, sérios. Foi-se o romantismo e a fantasia que a gente não sabia que era fantasia, viramos burgueses envoltos no odiado capitalismo de antanho.
Viramos pais de família com emprego e a conta da padaria pra pagar. Como se diz hoje: fudeu!
C'est La Vie, queridos e queridas amigas! Boas noites pra todos e até amanhã, se Deus quiser!

FIRULAS
Essa palavrinha me lembra algo divertido e colorido como borlantins* atrapalhados e me atrapalho quando tenho que me referir a uma fístula que operei dez dias atrás, sempre chamo de firula. 
Mas minha fístula/firula passa bem, cicatrizando legal e tudo o mais. Minha bolsa de colostomia - ao que tudo indica - me acompanhará pela eternidade e continuarei sendo o marsupial de hoje, meu passaporte para a vida, pra viver!
Algumas recomendações tipo não exagerar na carne de sereias suecas e nem me aproximar de tigres albaneses famintos, fora isso tudo posso, tudo é festa!
Falando em firula lembrei do meu amigo Jader, locutor da Rádio Guaratan-tan-tan em Santa Maria e meu colega de pensão, lá pelos anos setenta.
Sempre meio borracho, certo dia fazendo o noticiário, saiu-se com essa:
"E atenção, atracou hoje, em Rio Grande, um navio carregado de papagaios!". Deu-se conta da asneira e remendou, voz empostada:
"Retifico, um navio cargueiro paraguaio!". Foi demitido, é claro!
Um bom almoço pra vocês, horda de desocupados e adoráveis amigos aqui do feice, que a sesta lhes seja reparadora.
E hoje é sexta-feira, uauuu! Divirtam-se mas escolham bem!

*Borlantins: Chamava-se, no interior, pessoal de circo.

EINSTEIN
Me descobri, alguns anos atrás, claustrofóbico! Odeio lugares fechados. Me dei conta disso quando, num domingo ao entardecer, fui ao bar pegar algumas cervejas e estava fechado o estabelecimento, amigos! Aquilo me deixou em desespero, e agora?
E quando tu desce e chega na frente do teu boteco de estimação e ele está com as portas cerradas? Os bêbados, em solene reunião diante do bar, tecem longas teses sobre o fechamento momentâneo e alguém sugere formar uma comissão e irem até à casa do dono, sob pretexto de saber se ele estaria bem de saúde.
Essa confraria etílica é capaz de insurgir-se contra o mundo numa situação dessas. Os leigos e neófitos poderão dizer: "Vão noutro boteco e está resolvido, pronto!". Mas não é tão simples assim. Imagina tu sair de casa pra ir à missa e encontrar a igreja fechada, irmão; é mais ou menos isso, considerando os fins.
O aquerenciamento adquirido ao longo dos anos com o papo solto, o martelinho de vodka com gengibre que só ali tem e os saudáveis desacatos que se desenrolam durante os vários períodos em que a cachaça opera no metabolismo dos viventes. Em outro bar seria impossível.
O boteco, a birosca, não é o trago pelo trago: é a emoção de estar entre iguais não tão iguais. É a alegria de reencontrar aquele chato que anda sempre com um monte de papel ensebado e toda a vez que te encontra te mostra, dizendo que é o resultado de um processo quase ganho, que lhe dará direitos exclusivos numa fazenda fictícia lá pras bandas de Encruzilhada. 
Não raro encontramos algumas preciosidades num bar. Lembro quando eu frequentava o 100 Malícias - na Marcílio Dias com a rua Zero Hora - sentava com o brilhante chargista Sampaulo, colorado fanático e um erudito. Criador do Sofrenildo e de uma frase inesquecível: "Paulo Motta, haverá mulheres que comerás que ainda nem nasceram!".
Anos depois lhe dei toda a razão.
Bom almoço e um carinhoso beijo no manguito rotador de todos vocês!

sexta-feira, 24 de janeiro de 2014

AUFIEDERSEN
Vocês eu não sei, mas eu, agora com autonomia locomocional, vou me encontrar com criaturinhas que degustarão vinhos! Meu computador cortou relações comigo e estou numa enjambração que um primo da vizinha fez que é o microondas na televisão e deu certo, tigrada!
A torrada ficou com gosto de berinjela on the rock's, mas dá pro gasto!
Quando e se eu voltar, farei amplo relatório pra vocês! Quando tiver dinheiro vou comprar um título de conde, pois conde bêbado não tem dono!
Esse negócio não aceita a palavra 'enjambração'! Vou ter que enjambrar!
Adiós, sayonara, adieu, goodbye, ciao, tiau pra ti!