LULU
Vejo e ouço muita coisa sobre o Lulu. Desenferrujando o anacronismo, consegui engrenar meus conhecimentos do mundo virtual e entendi que Lulu não é uma pessoa, não é um cachorro e, muito menos, um personagem de mangá*. É um softer - acho que é assim que se diz - que a moçada usa pra aferir o desempenho dos rapazes pegadores na balada, se não é, é parecido. Onde digo moçada, leia-se meninas.
Já existe um levante, uma revolta das vítimas que se dizem invadidos, espionados, sacaneados e ninguém precisa saber que o galã bombado do muay-thai tem pinto pequeno. E meio pau meio tijolo. Nesse caso, tijolinho.
Se bem recordo, nos meus tempos de antanho já havia o Lulu nos bares, nos banheiros femininos, durante os bailes e boates e ninguém perdia a autoestima quando descobria que estava sendo zoado, mesmo que fosse de viva voz e não percorresse o universo pelos tablets da vida.
Sempre lembro da morte da galinha quando vejo a meninada que está aí, sofrendo e se mutilando moralmente quando coisas assim acontecem.
Um dia passeava pelos corredores refrigerados do supermercado com meu filho, o Lobo, e ele me perguntou, do alto de seus quatro anos, quantos corações tinha uma galinha, apontando para um bandeja de coraçõezinhos.
Ora vejam, ele pensava que as bandejas traduziam o que era uma galinha, senhores e senhoras ouvintes! Então construímos uma galinha segundo a concepção dele, que teria vinte corações, seis coxas e umas quatro sobrecoxas distribuídas pelo corpo bizarro do galináceo. Faltou lugar pras coxinhas da asa, acreditem.
Quando passamos as férias no sítio da vó Norma Motta e vô Cyro Rangel, ele viu uma galinha ser morta e acompanhou todo o processo de assassinato da ave: do pátio até a mesa. Comeu, gostou e entendeu que nossa comida não brota nas prateleiras do supermercado e nem nas do armazém.
Me parece, na minha ingenuidade interiorana, que há uma grande lacuna na cabeça dos nossos filhos, do tipo quem somos, de onde viemos e para onde vamos. Em que contexto estão inseridos e coisas básicas como causa e consequência. Brinquei, dia desses, que estamos diante da geração Miojo - parafraseando Mário Sérgio Cortella - tudo tem ser rápido, em três minutos, senão vem a frustração e a baixa autoestima.
A rapidez dos acontecimentos é tanta que periga chegarem aos quarenta anos imaginando galinhas atômicas mutantes, vindas de outras galáxias, rá!
Estudar, balada, namorar, se formar, balada, trabalhar, balada, pegar outros seres humanos na balada, trabalhar, casar, filhos, amigos, trabalhar e, um dia, desembarcar desse trem que ninguém é eterno, tirando o Sarney.
Necessário entenderem que estar aqui, nesse exato momento, beijando alguém, rindo, tomando um honesto Jack Daniel's e fazendo amigos é a consequência, mas pra ela - a consequência - existir, precisa causa.
Tá, chega de encher o saco de vocês com filosofia de gaveta, vamos falar sério: e o Aecinho hein, hein? Cresce nas pesquisas que nem rabo de cavalo: pra baixo!
Não precisava ser tão bíblico: do pó vim, ao pó voltarei! Era pra ser apenas uma mensagem subliminar e virou esse pandemônio, que coisa, não é?
Bem, vou até a cozinha em minhas duas patinhas traseiras e sem muletas, uia! Perdi minha parceira de xadrez, minha mãe, a Norma, voltou hoje para São Borja.
Jogar xadrez com ela é uma aventura, ela trapaceia! Minha mãe trapaceia no xadrez, é mole? Que tipo de filho essa senhora pode ter concebido, meu Deus!
Até já!
*Mangá - Gibi japonês.
domingo, 22 de dezembro de 2013
FULECO
Há pouco perguntei o que é o Fuleco. Não sabia, juro pra vocês! Me fui ao Google. Fiquei mais bestificado ao saber, no Dicionário Informal - olhem lá pra não dizerem que estou sob efeito da pílula lilás - que é o apelido do ânus, a cavidade anal, sacaram?
@me sentindo idiota, que nem dizem os bonequinhos nas mensagens. Fuleco! E é, também, nas raras horas vagas, o nome do Tatu-Bola mascote da Copa, inacreditável! Assim não há fuleco que aguente tanta sacanagem! Ah, mas esperem aí! Tudo a ver, claro! Sacanagem, fuleco, safadeza, bota no fuleco daquele ali, tira do fuleco lá e mete no fuleco aqui, como não percebi isso!
Não me dei ao trabalho de procurar quem foi o idealizador de tamanha heresia e, ao mesmo tempo, ironia descarada. Olhaí o Fuleco, gente! Se eu fosse o Tatu-Bola processava essa camarilha de gozadores, ah, processava!
Mas a Copa já está em andamento e nada poderá deter as emoções que nos serão proporcionadas pelo magnífico evento.
Vou até a cozinha assaltar a geladeira depois volto. Cuidem do fuleco de vocês, hein?
Há pouco perguntei o que é o Fuleco. Não sabia, juro pra vocês! Me fui ao Google. Fiquei mais bestificado ao saber, no Dicionário Informal - olhem lá pra não dizerem que estou sob efeito da pílula lilás - que é o apelido do ânus, a cavidade anal, sacaram?
@me sentindo idiota, que nem dizem os bonequinhos nas mensagens. Fuleco! E é, também, nas raras horas vagas, o nome do Tatu-Bola mascote da Copa, inacreditável! Assim não há fuleco que aguente tanta sacanagem! Ah, mas esperem aí! Tudo a ver, claro! Sacanagem, fuleco, safadeza, bota no fuleco daquele ali, tira do fuleco lá e mete no fuleco aqui, como não percebi isso!
Não me dei ao trabalho de procurar quem foi o idealizador de tamanha heresia e, ao mesmo tempo, ironia descarada. Olhaí o Fuleco, gente! Se eu fosse o Tatu-Bola processava essa camarilha de gozadores, ah, processava!
Mas a Copa já está em andamento e nada poderá deter as emoções que nos serão proporcionadas pelo magnífico evento.
Vou até a cozinha assaltar a geladeira depois volto. Cuidem do fuleco de vocês, hein?
ENEM
No que você está pensando? Essa pergunta sempre salta na minha jugular e eu sempre respondo, mentalmente: bobagens, asneiras e nada que te interesse! Mas já acostumei com a indiscrição desses duendes e gnomos que habitam os silícios e algoritmos do meu computador e vou adiante.
O Mercadante, Ministro da Inducação e Cultura, o Minc - não, não, o Carlos Minc é Ministro do Meio-Ambiente - poderia criar o ENEMA, para aferir o nível e a qualidade da burrice dos nossos amados estudantes.
Bom, vocês sabem o que é enema, não é? No infringir dos embargos, lavagem gastro-intestinal para eliminar impurezas das tripas. Desculpem a escatologia, mas a ideia pareceu razoável e me senti à vontade para lançá-la aqui. Ou expeli-la, como preferirem.
As perguntas seriam pegadinhas espirituosas do tipo: Quantos animais de cada espécie Moisés enfiou na Arca para aguardar o Dilúvio?
As alternativas seriam cinco: a, b, c e d, considerando que os alunos saibam que isso é a ordem das letras do alfabeto e não o nickname de algum bródi do feice, senão seria Alpha Betus naum eh? Hausahuahuaushua!
Se a prova fosse - Deus nos acuda - descritiva, teríamos respostas mais ou menos assim:
- Moisés era arcanjo pois era dono da Arca.
- Moisés botou um animal apenas pois arcava com muitas despesas e não podia levar mais de um.
- Moisés nunca colocou nenhum animal na Arca, pois Arca era um estrumento* de cordas que Moisés tocava nas festas do Delúbio e depois emprestava para os anjos tocadores de arca.
O resultado disso seria um festival de bom humor e gargalhadas entre pessoas mais ou menos bem informadas e um termômetro para sabermos a quantas anda a ignorância dos nossos jovens.
Ao invés das já famosas pérolas do ENEM, teríamos as Pérolas Fecais do ENEMA, mais um passo para a inclusão social da burrice, vejam que lindo! Tudo pelo social, inclusive os do Tony Ramos!
Chega de esculhambar a estupidez alheia, vou cuidar da minha vida e tentar achar um CD do Mandela, aquele cantor jamaicano que canta musica afrodisíaca, que veio da África!
Até já, vou tomar um pouco de banho e volto, tá?
*Estrumento é ipsis litteris, como um jumento escreveria, mesmo Moisés não sendo o cara da Arca. O cara da Arca era Noé.
No que você está pensando? Essa pergunta sempre salta na minha jugular e eu sempre respondo, mentalmente: bobagens, asneiras e nada que te interesse! Mas já acostumei com a indiscrição desses duendes e gnomos que habitam os silícios e algoritmos do meu computador e vou adiante.
O Mercadante, Ministro da Inducação e Cultura, o Minc - não, não, o Carlos Minc é Ministro do Meio-Ambiente - poderia criar o ENEMA, para aferir o nível e a qualidade da burrice dos nossos amados estudantes.
Bom, vocês sabem o que é enema, não é? No infringir dos embargos, lavagem gastro-intestinal para eliminar impurezas das tripas. Desculpem a escatologia, mas a ideia pareceu razoável e me senti à vontade para lançá-la aqui. Ou expeli-la, como preferirem.
As perguntas seriam pegadinhas espirituosas do tipo: Quantos animais de cada espécie Moisés enfiou na Arca para aguardar o Dilúvio?
As alternativas seriam cinco: a, b, c e d, considerando que os alunos saibam que isso é a ordem das letras do alfabeto e não o nickname de algum bródi do feice, senão seria Alpha Betus naum eh? Hausahuahuaushua!
Se a prova fosse - Deus nos acuda - descritiva, teríamos respostas mais ou menos assim:
- Moisés era arcanjo pois era dono da Arca.
- Moisés botou um animal apenas pois arcava com muitas despesas e não podia levar mais de um.
- Moisés nunca colocou nenhum animal na Arca, pois Arca era um estrumento* de cordas que Moisés tocava nas festas do Delúbio e depois emprestava para os anjos tocadores de arca.
O resultado disso seria um festival de bom humor e gargalhadas entre pessoas mais ou menos bem informadas e um termômetro para sabermos a quantas anda a ignorância dos nossos jovens.
Ao invés das já famosas pérolas do ENEM, teríamos as Pérolas Fecais do ENEMA, mais um passo para a inclusão social da burrice, vejam que lindo! Tudo pelo social, inclusive os do Tony Ramos!
Chega de esculhambar a estupidez alheia, vou cuidar da minha vida e tentar achar um CD do Mandela, aquele cantor jamaicano que canta musica afrodisíaca, que veio da África!
Até já, vou tomar um pouco de banho e volto, tá?
*Estrumento é ipsis litteris, como um jumento escreveria, mesmo Moisés não sendo o cara da Arca. O cara da Arca era Noé.
SURPRESA
Amigos, amigas, o Natal se aproxima e a variedade de porcarias e coisas inúteis que tentam te empurrar goela abaixo não tem coisa igual. É tu te descuidar e lá está um CD do Naldo Sincronizaldo ou do Power Guido na tua mão. E tu paga pra te ver livre do chato.
Vais ganhar uma multidão de afilhados e sobrinhos que chega beirar a verdade. "Olha aqui, madrinha, tá barato o saco do Papai Noel pra pendurar na arvore!" e vamos adiante que faltam os presentes da Tia Corda e do filho da Bernadete e tu nem sabes quem é a Bernadete.
"Tio, tio, tá bem guardado, tio!". Flanelinha é um ser demoníaco que surge das trevas na frente do carro pra te achacar como se a rua fosse dele e, se tu não pagar, corres o risco de muitos riscos na amada lataria que é polida idiotamente todo o final de semana.
Nesse torvelinho de emoções muito cuidado com o que vais comprar. Os papais noéis de chocolate da foto anexa são exemplo disso. Na embalagem são inofensivos confeitos, mas despidos tornam-se objetos de fazer desmaiar a Tia Corda e todas as tias necessitadas ao redor. Não deixe à mão, esconda-os ao perceber o que adquiriu, certo? É um conselho natalino para evitar faniquitos e surpresas bagaceiras.
Avante, Bulhufas, depois do Natal continuaremos comendo chester, bruster, porco e todo aquele acompanhamento até fevereiro.
Amigos, amigas, o Natal se aproxima e a variedade de porcarias e coisas inúteis que tentam te empurrar goela abaixo não tem coisa igual. É tu te descuidar e lá está um CD do Naldo Sincronizaldo ou do Power Guido na tua mão. E tu paga pra te ver livre do chato.
Vais ganhar uma multidão de afilhados e sobrinhos que chega beirar a verdade. "Olha aqui, madrinha, tá barato o saco do Papai Noel pra pendurar na arvore!" e vamos adiante que faltam os presentes da Tia Corda e do filho da Bernadete e tu nem sabes quem é a Bernadete.
"Tio, tio, tá bem guardado, tio!". Flanelinha é um ser demoníaco que surge das trevas na frente do carro pra te achacar como se a rua fosse dele e, se tu não pagar, corres o risco de muitos riscos na amada lataria que é polida idiotamente todo o final de semana.
Nesse torvelinho de emoções muito cuidado com o que vais comprar. Os papais noéis de chocolate da foto anexa são exemplo disso. Na embalagem são inofensivos confeitos, mas despidos tornam-se objetos de fazer desmaiar a Tia Corda e todas as tias necessitadas ao redor. Não deixe à mão, esconda-os ao perceber o que adquiriu, certo? É um conselho natalino para evitar faniquitos e surpresas bagaceiras.
Avante, Bulhufas, depois do Natal continuaremos comendo chester, bruster, porco e todo aquele acompanhamento até fevereiro.
VAZIOS
Eu costumava chegar no jornal, lá em Caxias, cedo da manhã e passava pela cabine da telefonista, onde ficava conversando um pouco antes de ir para a minha sala.
Numa dessas vezes ela me olhou e disse: "Tudo bem, Motta? Parece que estás com a alma desarrumada!". Seus olhos leram a minha alma como nunca ninguém havia feito antes. Aquela moça, uma ilustre desconhecida, enxergou pela fresta da persiana da minha casa fechada e viu a mesa da sala com restos de um jantar inacabado, como se os convidados tivessem sido tragados pela noite escura sem terminar a refeição.
Alma desarrumada, alma desarrumada; demorei pra me recobrar da surpresa, como se tivesse sido flagrado cometendo algum delito, sabe? Colei na boca um sorriso inoportuno e continuei mergulhado na minha casa desarrumada, vazia mas bagunçada, quartos empoeirados com pouca luz e agora não dá pra ajeitar tudo, nem vou receber visitas, mas preciso dar um jeito nisso.
Se a menina não me avisa ficaria tudo nesse abandono que só vi agora.
Aos poucos fui trocando os lençóis, sacudindo os tapetes, esvaziando as latas descascadas das prateleiras e jogando um montão de remorsos e inseguranças no forno eterno do esquecimento, no lixo.
Tenho o péssimo hábito de colecionar saudades que, enfileiradas na janela, saltam no meu pescoço se, por descuido, passo muito perto. Ah, as saudades! Como me livrar delas sem que percebam? Fizemos um pacto, então: só apareçam quando chamadas, certo? Nem acreditei que concordaram, as danadinhas!
Abri as janelas, iluminando a cama enorme e nem lembrava da cadeira de balanço com encosto de vime ali no canto, que coisa!
Que descuido o meu; abandonei-me, abandonei minha alma, deixei de lado o cuidado diário que minha casa precisa, corri o risco de me tornar mofado, cinzento, opaco.
A partir disso procuro manter as coisas em ordem e limpas pra qualquer visita repentina - essas coisas acontecem quando tu estás de ressaca e com a barba por fazer - e sei que por mais que eu me prepare, as visitas à minha casa/alma são sempre inesperadas. Senão não teria graça, não é?
Eu costumava chegar no jornal, lá em Caxias, cedo da manhã e passava pela cabine da telefonista, onde ficava conversando um pouco antes de ir para a minha sala.
Numa dessas vezes ela me olhou e disse: "Tudo bem, Motta? Parece que estás com a alma desarrumada!". Seus olhos leram a minha alma como nunca ninguém havia feito antes. Aquela moça, uma ilustre desconhecida, enxergou pela fresta da persiana da minha casa fechada e viu a mesa da sala com restos de um jantar inacabado, como se os convidados tivessem sido tragados pela noite escura sem terminar a refeição.
Alma desarrumada, alma desarrumada; demorei pra me recobrar da surpresa, como se tivesse sido flagrado cometendo algum delito, sabe? Colei na boca um sorriso inoportuno e continuei mergulhado na minha casa desarrumada, vazia mas bagunçada, quartos empoeirados com pouca luz e agora não dá pra ajeitar tudo, nem vou receber visitas, mas preciso dar um jeito nisso.
Se a menina não me avisa ficaria tudo nesse abandono que só vi agora.
Aos poucos fui trocando os lençóis, sacudindo os tapetes, esvaziando as latas descascadas das prateleiras e jogando um montão de remorsos e inseguranças no forno eterno do esquecimento, no lixo.
Tenho o péssimo hábito de colecionar saudades que, enfileiradas na janela, saltam no meu pescoço se, por descuido, passo muito perto. Ah, as saudades! Como me livrar delas sem que percebam? Fizemos um pacto, então: só apareçam quando chamadas, certo? Nem acreditei que concordaram, as danadinhas!
Abri as janelas, iluminando a cama enorme e nem lembrava da cadeira de balanço com encosto de vime ali no canto, que coisa!
Que descuido o meu; abandonei-me, abandonei minha alma, deixei de lado o cuidado diário que minha casa precisa, corri o risco de me tornar mofado, cinzento, opaco.
A partir disso procuro manter as coisas em ordem e limpas pra qualquer visita repentina - essas coisas acontecem quando tu estás de ressaca e com a barba por fazer - e sei que por mais que eu me prepare, as visitas à minha casa/alma são sempre inesperadas. Senão não teria graça, não é?
ANTIGUIDADES
No meu tempo, na minha época - falo na primeira pessoa pois não quero envolvê-los em coisas medievais - quase não havia acesso ao rock'n roll como hoje, que se você girar a torneira da pia da cozinha saltam a loura do Calypso e o Ozzy Osbourne ao vivo in concert.
Anos 70, em São Borja, tínhamos os primeiros contatos com a esbórnia encantadora do rock através dos conjuntos que tocavam nos bailes e nos traziam a voz e a música dos americanos doidos. Os Dinâmicos e Os Sheiks eram os dois melhores grupos que tocavam nos bailes dos clubes Recreativo, Comercial ou Fraternidade.
Dancei no embalo de Woman, Barrabas e da Photograph do Ringo Starr, sublimes. Depois vinham as melacuecas, entoadas por brasileiros que se faziam passar por ianques que nem Fabio Junior (Uncle Jack e Mark Davis) e Christian, esse mesmo da dupla sertaneja Christian & Ralph, que fez um baita sucesso com Don't Say Goodbye, trilha da novela Cavalo de Aço.
Eventualmente algum ricaço aparecia com elepês do Pink Floyd e do Deep Purple que o irmão trouxe dos EUA, e a gente tratava de gravar nas fitas-cassete TDK e BASF. As 3M eram uma lixa pro cabeçote do toca-fitas!
Sim, havia músicas brasileiras como Antonio Carlos & Jocafi, que eram os mais dançáveis e outros que não lembro.
Em seguida fomos atropelados pela tecnologia e Mark Davis ficou no armário e o Fabio Junior assumiu o seu lugar e o Christian foi cantar com o Ralph dores-de-cotovelo alheias e nós crescemos e fomos trabalhar e cuidar na nossas vidas e dos nossos filhos.
Quando acordamos de ressaca do baile de ontem, nosso neto entra no quarto e diz que o almoço tá na mesa e a vó tá fazendo pudim, na cozinha com a mãe e o tempo foi, passou e somos resultado daquelas noites sem fim com amigos e namoradas inesquecíveis que nos visitam ao adormecer. Sempre fomos felizes e sabíamos que éramos felizes, gente, ah, se sabíamos
No meu tempo, na minha época - falo na primeira pessoa pois não quero envolvê-los em coisas medievais - quase não havia acesso ao rock'n roll como hoje, que se você girar a torneira da pia da cozinha saltam a loura do Calypso e o Ozzy Osbourne ao vivo in concert.
Anos 70, em São Borja, tínhamos os primeiros contatos com a esbórnia encantadora do rock através dos conjuntos que tocavam nos bailes e nos traziam a voz e a música dos americanos doidos. Os Dinâmicos e Os Sheiks eram os dois melhores grupos que tocavam nos bailes dos clubes Recreativo, Comercial ou Fraternidade.
Dancei no embalo de Woman, Barrabas e da Photograph do Ringo Starr, sublimes. Depois vinham as melacuecas, entoadas por brasileiros que se faziam passar por ianques que nem Fabio Junior (Uncle Jack e Mark Davis) e Christian, esse mesmo da dupla sertaneja Christian & Ralph, que fez um baita sucesso com Don't Say Goodbye, trilha da novela Cavalo de Aço.
Eventualmente algum ricaço aparecia com elepês do Pink Floyd e do Deep Purple que o irmão trouxe dos EUA, e a gente tratava de gravar nas fitas-cassete TDK e BASF. As 3M eram uma lixa pro cabeçote do toca-fitas!
Sim, havia músicas brasileiras como Antonio Carlos & Jocafi, que eram os mais dançáveis e outros que não lembro.
Em seguida fomos atropelados pela tecnologia e Mark Davis ficou no armário e o Fabio Junior assumiu o seu lugar e o Christian foi cantar com o Ralph dores-de-cotovelo alheias e nós crescemos e fomos trabalhar e cuidar na nossas vidas e dos nossos filhos.
Quando acordamos de ressaca do baile de ontem, nosso neto entra no quarto e diz que o almoço tá na mesa e a vó tá fazendo pudim, na cozinha com a mãe e o tempo foi, passou e somos resultado daquelas noites sem fim com amigos e namoradas inesquecíveis que nos visitam ao adormecer. Sempre fomos felizes e sabíamos que éramos felizes, gente, ah, se sabíamos
domingo, 8 de dezembro de 2013
CONSELHOS DO TIO MOTTA
Se estás desabalado na balada e o melhor que aconteceu até três da manhã foi o garçom te passar a mão na bunda, é hora de partir pra ignorância! Mas, cuidado, muito cuidado, nessa hora da madrugada corres o risco com as maioneses de quermesse - ou melancia no sol - que surgirão das entranhas do inferno querendo te fazer mal, pequeno borracho.
Unhas vermelhas, voz rouca, perfume da Coty, um Dunhill babado e um pedido de kipikúler é o cartão de visitas desses temíveis seres que gravitam nas madrugadas bêbadas de tarados em fim de carreira que nem você, ó desatinado incauto!
Se for inevitável e aquele urubu lhe parecer a Daryl Hannah vestida de Mortícia, peça mais uma dose de qualquer coisa enriquecida com urânio e abra seu coração, deixe a poesia fluir e se derramar por entre os seios dela e espere pra vomitar quando o táxi parar na frente do hotelzinho da Comendador Coruja.
No sábado pela manhã o pior já terá acontecido e isso nada, mas nada mesmo, poderá te arrancar dali e te jogar embaixo do teu chuveiro, no aconchego do teu sacro e santo lar. Foi jurar amor eterno e dar vazão aos teus instintos mais baixos e rasteiros, mesmo sabendo o preço a pagar, azar é teu; aguenta o bafo de cinzeiro e reza pra não encontrar ninguém conhecido às onze da manhã, com o Mahmoud Ahmadinejad abraçado em ti em plena Cristóvão Colombo! Mas ontem essa coisa até parecia matável...bá, deixa pra lá!
Enfim, desejo-lhes suerte! Meu pessoal está on-line para aconselhamentos e sugestões eventuais 24h.
Vou jantar e jogar um pouco de xadrez com minha mãe, a Norma. Até mais tarde.
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