domingo, 7 de julho de 2013

Olha só, o presidente não sei do que, que pegou uma caroninha num avião da FAB pro Rio, devolveu a grana da viagem! A cabeça de porongo desse cidadão - que deve abrigar um cérebro dentro dela - não permitiu que percebesse o momento em que o país está passando, então ele embarcou todo frajola com uma matilha de parentes, para passear num avião da Força Aérea Brasileira pago, é claro, pelo contribuinte. Foi de uma insensibilidade paquidérmica! A Dilmona deve ter subido nas tamancas com a peraltice do garoto. Vai ficar dois meses sem computador e longe da Internet, por mau comportamento, menino mau! Espera teu pai chegar pra tu ver uma coisa! Acho que em outros tempos isso se diluiria num bate-boca entre imprensa e ministério e a turma do deixa-disso. Mas parece que alguma coisa realmente mudou, o que começa a animar a gente. Amanhã farei uma cirurgia de firula, fíbula, não, não, de fístula. Uma fistulobologia, não sei dizer o nome do procedimento, mas é isso aí. Já estou meio familiarizado com o jargão médico. Lembro que uma médica me examinou uns anos atrás, acho que era gastroenterologista - me perdoem se errei - e eu estava muito barrigudo. Ela falou que eu estava com o ventre globoso! Rapaiz, nunca tinha pensado nisso! Não sou barrigudo, tenho ventre globoso! Mas amanhã o negócio é com a turma da proctologia, que já conheço bem. Falava pra Val Saab, há pouco, que darei notícias logo tudo esteja consumado. Abanarei da sacada do meu quarto e jogarei pétalas de rosas, cercado pelos médicos. Determinei que a imprensa seja informada sem restrições. Daqui a pouco entrarei em concentração para o evento de amanhã. Jejum a partir da meia-noite, essa é a pior parte. A greve de fome do faquir. 
Até amanhã, queridos e queridas, abracinhos e beijinhos.

Recebi visita-surpresa da minha amigona Iceles Brenner, a Celinha! Lembramos os bons velhos tempos e de velhos e eternos uísques que degustávamos no bar do Vanderlei, um amigo que já desembarcou e deve estar contando nossas aventuras em outra dimensão. Rimos muito e alegrou-me a presença ímpar da minha amiga! Contava pra ela - e agora pra vocês - que ganhei bifes de fígado acebolados da Ana Maria. Sonhados bifes de fígado! E uma geral nas minhas patinhas traseiras feitas pela Maria Cristina, maravilhoso! Sou um animalzinho banhado, alimentado e muito bem cuidado pelas minhas anjas da guarda. Não mereço tanto carinho.
No final da tarde veio o Bartira me dar um abraço, já havíamos combinado essa visita por telefone, e ele me prometera trazer uma morena bem galinha pra me ajudar nas noitadas! Opa, não entendi muito bem mas criei grande e sacana expectativa, rapaiz! Quando ele entrou fiquei olhando pra porta, esperando a morena, mas não veio mais ninguém, ué? Não me aguentei e perguntei: "E daí? Cadê o que tu me prometeu, viado?", e ele: "Ah, tá aqui!" e me estendeu uma bengala envernizada com cabo metálico. "Como te falei no telefone: uma pequena bengalinha pra te ajudar nas caminhadas!". Calei a boca, segurando a bengala com cara de banana! Surdo é foda! E o apelido dele é Bartira pois tudo o que ele ganha, o bar tira!
Té já, vou tomar uns comprimidos e me deprimir um pouco, que hoje ainda não me deprimi. Bye!

O Naldo vai casar, a Lady Marshmellow, nora do príncipe Charles conceberá um bebê, considerando-se que sejam humanos, será um bebê. Se não, um ovo Fabergé recheado com bonequinhos smurfs de âmbar azul e do Sir Francis Drake em ouro branco. Os aldeões rosnam e tramam para invadir o castelo de Conde Naldo, durante a festa de casamento, e comer as empadas de camarão, mijar nas taças de ponche verde e botar CDs do Exaltasamba e do Vivaldi nos canais de som. A plebe está organizada e cercará o evento com vinte e três carros de som com coelhinhos, dançarinas do ventre e trezentas velhinhas tricotando e jogando bingo em carros abertos, representando a degradação e a exploração imposta pelo homem branco aos aborígenes locais e aos homens amarelos, verdes e azulados. A truculenta segurança do Conde Naldo tentará impedir a esculhambação do histórico momento, mas os pastores alemães formarão uma barreira cantando hinos de louvor, em alemão, e jogarão pesadas bíblias nos truculentos pretorianos. Gretchen descerá de um dos carros com seus duzentos maridos e dançarão La Conga, enlouquecendo todos os incautos, que correrão desesperados e se jogarão, atarantados, no Lago Ness. Ideli Salvatti corre para as câmeras da mídia e dá uma receita de bolo de pó de rolha, que sua avó lhe passou quando sofria de caganeira. Mas os espertos repórteres e seus câmeras não se deixaram enganar pela saborosa receita e flagraram Conde Naldo entrando, sorrateiro, na limusine de Duque Renan Calaveira que, por acaso, passava por ali. E viveram felizes para sempre. Os aldeões raivosos comeram todo o bolo decorado com pinguins de gelatina, fizeram cocô na sala e foram pra rua comemorar, botando fogo no circo e pichando as paredes do castelo do Naldo. Afinal, conde bêbado não tem dono!
Vou dormir pois amanhã tem missa, linguiça, caliça e a premissa que supõe treliça. Bye

Rabisquei, há pouco, num post do Alexandre Augusto Bellei, uma situação verdadeira e folclórica, ocorrida na minha querida São Borja, lá na costa do Uruguai, anos atrás. No prédio onde funcionava o Banco do Brasil, instalou-se o Forum e o BB mudou-se para adjacências. Um xirú desavisado, na frente do prédio, procurando o Banco do Brasil, leu o novo letreiro e perguntou: "Tá bom, forum. Mas foram pra onde, criatura de Deus?"

quarta-feira, 3 de julho de 2013

Outro dia Gilnei Lima, em carne e osso, esteve aqui. Conversamos e gargalhamos muito, maravilha conhecer pessoalmente quem já conhecemos no virtual. Em seguida chegou a Rose, minha ex-colega e amiga de décadas. Trouxeram ouro, incenso e mirra. Meu dia foi muito legal, fora da rotina, show de bola! 
Lá pelos anos 80, Seu Aurélio era o ecônomo do restaurante da ZH, e na madrugada, quem atendia o estabelecimento era o Mário. Mário era um senhor dos seus sessenta anos, que era pau pra toda obra, embora o pessoal preferisse fazer seu próprio sanduíche, pois ele ia ao banheiro e voltava com as mãos bem sequinhas, não lavava. Numa daquelas intermináveis madrugadas, o Frisante, que era um bandalho, ligou pro ramal do restaurante imitando a voz do Seu Aurélio: "Mário, meu filho, aqui é o Aurélio. Me faz um favor, Seu Maurício tem um churrasco amanhã e pediu pra nós fazer a salada de maionese. Pega aquele saco de batatas que tem no canto da cozinha e descasca pra mim?". "Sim senhor, Seu Aurélio, é pra já!". Três da manhã o Mário já tinha descascado quase meio saco de batatas e o pessoal começou a ficar preocupado: o que dizer pro Aurélio, quando ele chegasse de manhã e encontrasse aquele monte de batatas descascadas? Tentaram avisar o Mário, que tinha sido o Frisante imitando a voz do Seu Aurélio, mas foi em vão, ele não acreditou. Obrigaram, então, o Frisante a ligar de novo, sob protesto ele ligou: "Mário, meu filho, pára com as batatas, lembrei que o churrasco é pra depois de amanhã!", aí ele parou, senão teria ido até o fim saco. Explicar pro Aurélio a pilha de batatas descascadas foi um problema!

Nessa minha ociosidade letárgica, descubro coisas recentes que ainda me surpreendem. Não lembro quando, me deparei com uma foto do Lula apertando a mão do Paulo Maluf, acho que foi antes das eleições pra prefeito e Maluf apoiou o candidato de Lula e a Erundina foi procurar outra turma. Me encanta o desprendimento e o desapego a ideologias ou quaisquer interesses pessoais desses dois estadistas - passam do estado sólido ao gasoso em segundos - almejando tão e somente o bem estar social, o desenvolvimento comunitário e alternativas sólidas para que o cidadão possa exercer sua cidadania. Aí, depois das eleições, a coisa vira um balaio de gatos que ninguém entende. Agora, falando sério, comecei a observar as pessoas que me olham pilotando a minha cadeira de rodas vermelho-Ferrari. Algumas olham com pena, pobre daquele senhor, naquela cadeira, como será que caga? E aquela gostosona empurrando ele, será filha? Não, não. Deve ser a noiva! Que noiva, José, o cara deve ser broxa, não levanta o pinto, entendeu? Não come ninguém! Mas a maioria te trata legal, te dá preferência nas filas e te paparicam nos restaurantes. E eu me aproveito um pouco disso, é claro! É divertido, confesso. Eu tenho vitiligo - tenho o corpo malhado, que nem cavalo de índio - e um dia estava dentro do ônibus indo pro jornal, lá em Caxias e tocou meu celular. Era um freguês que precisava informações e fui falando e notei que os passageiros me olhavam, curiosos, talvez pelo vitiligo, que era mais acentuado naquela época. Depois que o cliente desligou, continuei falando como se ainda estivesse na linha e falei mais ou menos isso: "Pois é, rapaiz, ainda continuo com aquele problema de pele, sabe? É. O médico falou pra eu não sair e não ter contato com ninguém por causa do contágio, mas como o pus secou resolvi sair um pouco!". Amiguinhos e amiguinhas, até o velhote que sentava ao meu lado, no corredor, voou, parando quase no colo do motorista! Uns levantaram, outros cochichavam, foi muito divertido! Essas coisas fazem a vida da gente valer a pena, né?
Um abracinho pra todos, agora Ana Maria chegou e acho que trouxe guloseimas e eu pareço cachorro em roda dos pacotes! Tiaw!

O mundo em protesto e eu aqui, com as pupadas dilatilas, ou melhor, pupilas dilatadas. Mas ainda ouço mais ou menos, confundo coisa do tipo "Pendorou a roupa?", "Não, ainda não provei a sopa!". Um pouco abobamento meu, um pouco surdez, mesmo.
Nossos heróis, Drácula, Lobisomem e Frankenstein, do alto das masmorras, divertem-se observando a agitação dos aldeões e seus archotes ao redor do castelo. Como todo nobre que se preze, Drácula dispõe de um exército composto de deputados e encenadores. Quando se misturam à multidão, deputando e encenando, semeiam a discórdia e a desconfiança entre a plebe. Não raro auxiliados pelos calhordas e crápulas, subalternos oriundos das regiões de Roubaldo e Catarro e treinados para o confronto direto com a plebe. Atacam com uma meleca esverdeada que causa vômitos e febres nas vítimas. Os aldeões defendem-se com balas de borracho. Balas para curar bebedeiras. Esse artefato, se jogado com violência, fragmenta-se e libera Creolina, fatal para os crápulas e calhordas. Ontem, dois crápulas e três calhordas foram alvejados com balas de borracho com Creolina. Ficaram alvinhos, alvinhos! E o tradicional campeonato de Paraquieto está agendado pra ano que vem, está em cima! Com essa bagunça, sei não! Paraquieto é um esporte que consiste em uma arena circular com dois contendores. Um deles, munido de um bastão de fêmur de bochinchão, um jumento escarlate da região, tenta acertar a cabeça do outro e tem quinze minutos pra isso. Se não acertar, quem vence é a provável vítima. A queda de braço entre Drácula & Amigos não está definida. De hora em hora o arauto oficial, Carvão Ameno, manterá todos informados. As deputices e encenações fizeram um pequeno estrago nas fileiras da plebe, mas nada preocupante. E o Frankenstein ganhou de amigos Malenzuela, farto carregamento de Ovomaltine! Lobisomem, sexta, lua cheia, vai uivar na balada do amigo Lupércio, nos Cárpatos. E a esculhambação continua e o populacho ruge! Tiaw, amiguinhos!